quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Grave Crise da PM abala governo do Rio

Crise da PM abala governo do Rio

Enviado por: "Romeu Sierra"

Ter, 12 de Fev de 2008 11:52 am

*Crise da PM abala governo do Rio

Metade dos oficiais da Polícia Militar pede demissão diante da repressão aos
protestos por salário e condições de trabalho. Governador Sérgio Cabral paga
o menor salário do país

* *
Arnaldo Sanchez, do Rio de Janeiro (RJ)
*

• A Polícia Militar do Rio de Janeiro vive sua maior crise desde 1980,
quando oficiais de baixa patente cercaram em passeata o Palácio Guanabara,
sede do Governo do Estado, furando os pneus dos carros oficiais e
reivindicando equiparação salarial com o exército.

A atual crise foi aberta com uma passeata no dia 27 de janeiro de cerca de
mil policiais pelas ruas do Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca,
reivindicando melhores salários. O bairro foi escolhido porque é onde mora o
governador Sérgio Cabral (PMDB) que, durante sua campanha eleitoral,
prometeu valorizar o salário da PM e do conjunto do funcionalismo. Mas, como
acontece com todos os políticos burgueses que chegam ao governo, Cabral
esqueceu das promessas para os trabalhadores e governa para os ricos.

No mesmo dia desta manifestação, o secretário Estadual de Segurança, José
Beltrame, homem forte da política fascista de segurança pública de Sérgio
Cabral, afirmou que os policiais recebem exatamente o salário que merecem. O
problema é que a PM do Rio de Janeiro tem o pior salário de todos os estados
do país.

Dois dias depois da manifestação, o governo reagiu de forma truculenta
contra a manifestação dos policiais e exonerou o comandante geral, coronel
Ubiratan Ângelo, acusado de não ter usado a sua autoridade contra os
policiais envolvidos. Exonerou, também, o grupo de oficiais que fazia parte
do movimento dos "Barbonos", grupo formado em 2006 por nove coronéis para
reivindicar melhorias salariais e de condições profissionais.

No dia seguinte, quando era nomeado o novo comandante geral da PM, coronel
Gilson Pitta, às portas fechadas e pela primeira vez na história sem a
presença da tropa, 45 coronéis e tenentes-coronéis entregaram seus cargos de
comando em protesto à exoneração do coronel Ubiratan Ângelo. Estas demissões
representam exatos 50% de todos os cargos de comando da PM do Rio.

Na mesma semana, o grupo dos "Barbonos" protestou na praia de Copacabana
fincando na areia 586 cruzes, simbolizando o número de policiais militares
mortos em serviço nos últimos três anos.

Esta crise está longe de se encerrar. Na quinta-feira, dia 7 de fevereiro,
logo após o carnaval, foram afixados cartazes no centro do Rio contra o novo
comandante-geral da PM, chamado de traidor, e reivindicando aumento de
salário.

No dia 11 de fevereiro, os policiais se reuniram na sede da Associação dos
Militares Estaduais para preparar uma nova manifestação e dar prosseguimento
à campanha por aumento de salário. A nova manifestação deve ser realizada
novamente no Leblon, em uma demonstração que a luta está sendo dada contra o
maior responsável pelo arrocho salarial do funcionalismo, o governador
Sérgio Cabral, grande aliado de Lula no Rio de Janeiro.

Uma grande demonstração do caráter de classe da polícia é a atual política
de segurança pública do governador Sérgio Cabral, apoiada integralmente pelo
governo federal e pelo PT, que visa criminalizar a pobreza e está
assassinando uma parte significativa da juventude negra e pobre das
comunidades carentes cariocas. O maior exemplo ocorreu em junho de 2007, no
complexo do Alemão, quando uma megaoperação policial deixou 19 mortos,
muitos deles assassinados à queima-roupa, num massacre de civis. Apesar de
todo este terrorismo de Estado, esta política só aumenta a violência e não
consegue nenhum êxito efetivo em relação à segurança da população.

Porém existe uma divisão nos aparatos repressivos do Estado. Um setor da
base e da baixa oficialidade está se mobilizando por reivindicações
salariais e políticas, chocando-se inclusive com os governos e o comando
maior destas instituições. Nós apoiamos esta luta salarial e manifestamos
nossa desconfiança em relação aos coronéis. Mais ainda, defendemos que os
policiais unifiquem sua luta com o resto do funcionalismo, inclusive contra
a atual política de extermínio.

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