terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Posição do Movimento Humanista no Quênia

Posição do Movimento Humanista no Quênia sobre os últimos acontecimentos, 18 de janeiro de 2008

Para os humanistas, tanto no Quênia como no mundo, a continuação dos distúrbios sociais no Quênia é sumamente preocupante. Esta situação, que na verdade paira como ameaça desde a independência, está chegando agora num ponto crítico. Estamos enfrentando uma situação onde o povo do Quênia foi manipulado por meio do falso jogo de tribo contra tribo. De um lado estão supostamente os amigos dos kikuius, e do outro lado está supostamente os amigos dos luos.

No entanto, os humanistas estão vendo isto como realmente é: um jogo de dois homens que lutam pelo seu próprio poder pessoal. Dois homens que não se deterão por nada a fim de chegar ao topo, de onde tem acesso a todos os negócios para fechar, de onde podem controlar o destino da ajuda e quem poderá levar a maior porcentagem para seus próprios bolsos.

Esta situação é um legado repugnante da colonização onde algumas pessoas foram envolvidas com favores para poder controlar tudo. Foram aprofundadas e intensificadas as divisões entre as tribos. As tribos foram caracterizadas com palavras como: ladrão, egoísta, corrupto, promíscuo, etc.

Em vez de procurar a harmonia entre as pessoas, por décadas o reino pós-colonial aprofundou estas divisões. Os políticos sabiam bem que o "Dividir para dominar" era um caminho fácil para chegar ao poder.

Hoje o problema no Quênia não é a luta de tribo contra tribo, O problema é que uma vasta maioria da população vive em condições miseráveis enquanto uma diminuta minoria vive como rei em seus ricos condomínios.

Os Humanistas de todo o mundo denunciam este jogo de políticas tribais no Quênia e queremos apontar os holofotes sobre os verdadeiros responsáveis.

Denunciamos os velhos poderes coloniais que criaram o sistema em primeiro lugar e sabiam muito bem que estabelecendo um sistema que pode ser facilmente manipulado, as verdadeiras questões da pobreza, da saúde, da educação e de uma vida digna são colocadas de lado. Neste sistema, o "Neo-Colonialismo" pode prosperar num sistema onde o povo do Quênia tem acesso ao poder político, mas onde os bancos e todos os recursos do país – o poder econômico – são controlados por interesses estrangeiros. Todos sabem que África já pagou sua dívida várias vezes, por que continua pagando?

O fato de que os velhos poderes coloniais e os EUA (atualmente os membros do rico ocidente e membros de organizações como a UE e o G8) desviem o olhar e não façam nada enquanto o Quênia está queimando, mostra sua cumplicidade com os acontecimentos que estão ocorrendo.

Nesta situação vemos uma estratégia mais ampla de genocídio. È a estratégia implícita do G8, EU e cada vez mais da China; uma estratégia que permite que milhões de seres humanos morram ano após ano, de malária e AIDS quando estas doenças são perfeitamente curáveis e passíveis de prevenção; uma estratégia de fomentar guerras civis para controlar recursos minerais e petróleo e vender armas; uma estratégia que utiliza a interminável fonte de mão de obra barata forçada a trabalhar em condições indignas, sem direitos e sem proteção.

Também denunciamos a Mwai Kibaki e Raila Odinga, dois homens que tanto poderiam fazer para levar a mudança para o Quênia, por permitir se deixar manipular deste modo, por permitir que seus seguidores saiam armados na rua, por permitis que a polícia utiliza gás lacrimogênio e balas reais, por não exigir nem insistir na não-violência para resolver este conflito. Eles sabem o que estão fazendo e o fazem com a pior das intenções: seus próprios benefícios pessoais.

Fazemos homenagens aos africanos que estão tentando e têm tentado ajudar para superar esta situação. Homenageamos a Julius Nyerere, o último presidente da Tanzânia que, bem do outro lado da fronteira com o Quênia, ajudou a construir uma nação que valorizou os seres humanos por cima das tribos de onde vêm. Agradecemos a John Kufour e Kofi Annan, dois ganeses que estão tendo um profundo interesse em encontrar uma solução não-violenta para superar esta situação e também agradecemos a contribuição de pessoas como Graca Machel da África do Sul e Benjamin Mkapa da Tanzânia.

Também fazemos uma homenagem a Nelson Mandela cujo governo demonstrou o caminho da verdade e da reconciliação, um processo em que esperamos seja encontrado algo de útil ao Quênia no futuro.

Os Humanistas dos cinco continentes do mundo estão assistindo a situação com grande preocupação e estamos dispostos a ajudar da melhor forma possível.

Estamos convocando a todos os quenianos a formarem comitês da Não- Violência, locais e enraizados, seguindo o caminho da não violência ensinado por Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Silo.

Convocamos todos os humanistas africanos a se unir para terminar o neo-colonialismo e exigir o fim da fraudulenta e ilegal dívida do terceiro mundo.

Convocamos a todos os governos africanos a não permanecer em silêncio, a não permitir que formem parte desse neo-colonialismo. Mostrem sua solidariedade com o povo do Quênia. Rejeitem os pedidos de exportação de armas para o Quênia; que impeçam a entrada de armas no país! Que exijam o fim da interferência estrangeira nos assuntos da África, para que a África possa encontrar os meios para resolver seus próprios problemas e que se intervenha somente com base nas resoluções da ONU!

Exigimos dos Governos Ocidentais e das multinacionais que ponham um fim na exploração da África que responde unicamente a seus próprios interesses egoístas no que se refere aos recursos minerais e ao petróleo.

Exigimos do Conselho de Segurança da ONU que faça um acompanhamento da situação no Quênia com urgência e atenção que o caso merece e que prepare os meios necessários para uma rápida intervenção caso a situação precise dessa intervenção para manter a paz.

Finalmente exigimos que sejam permitidos e realizados todos os esforços de mediação e que ambos os lados cumpram este processo. Se disso resultar a necessidade de novas eleições, os Humanistas do Quênia e a Internacional Humanista se colocam à disposição para ajudar no que a comunidade internacional considerar de utilidade.

Pela Internacional Humanista subscrevem este documento,

Giorgio Schultze,

Porta Voz do Novo Humanismo para Europa

Tomas Hirsch,

Porta Voz do Novo Humanismo para América Latina

Chris Wells,

Porta Voz do Novo Humanismo para América do Norte

Sudhir Gandotra

Porta Voz do Novo Humanismo para Ásia e Pacífico

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