sexta-feira, 2 de abril de 2010

Que partido queremos e o que queremos do partido

Queremos um Partido que nos permita voar por sobre a mediocridade da política atual, construída sobre relações de manipulação e utilitarismo, e que navega à deriva em um mar de palavras gastas e idéias vazias.

É claro que para que isso de "poder voar", não seja outra idéia vazia, se necessitam asas. E essas asas as temos, são as de nossa espiritualidade, são as de nossa coerência, são as das nossas melhores aspirações de crescer sem limite. Mas acontece que em certas ocasiões cremos que se deve retornar à terra, ao ir ao bairro, ao nos ocupar dos problemas sociais e locais. E então às vezes, acabamos falando do que se supõe que deve falar um político, com as palavras que deve usar um político, e com os interesses que tem um político. E quando isso se passa conosco, vamos caindo em uma sorte de adaptação decrescente, mimetizando-nos com a mediocridade reinante, fechando nós mesmos o espaço necessário para levantar o vôo.

Há chegada a hora de falar como se tem que falar: com verdade interna, sem o temor ridículo de não sermos compreendidos; porque podemos falar dos grandes temas, sem que isso signifique que minimizemos as preocupações locais. Porque os conflitos e as preocupações locais, sempre têm sua raiz nos diversos tipos de violência, na discriminação, na indiferença, na manipulação e em tudo aquilo que pudermos denunciar com autoridade moral, na medida em que "mantenhamos despregadas nossas asas", preparados para voar e assim talvez, poder ajudar outros a voar.

Não devemos cair na armadilha do cálculo, e nos ocupar dos problemas dos outros somente em função de ter mais um filiado ou mais um voto. Ainda que esteja claro que ao optar pela via da política, certamente queremos ter muitos filiados e votos. Mas queremos ter o apoio daqueles que se sintam atraídos por nossa coerência, por nossa espiritualidade, por nossa dignidade. E não desejamos o apoio que se possa obter por chantagem, pela manipulação ou pelo truque. Há muitas pessoas esperando nosso sinal, não percamos mais tempo crendo que não nos vão entender.

Não vamos ter força para crescer com o Partido se não tivermos nexo no nosso modo de planejar as coisas. E não vamos ter nexo se crermos que devemos nos adaptar à mediocridade para poder falar a mesma linguagem da política materialista de curto alcance.
Como Silo explica no livro "O Olhar Interior", é correto solidarizar-se com a luta do pobre, do explorado e do perseguido, mas também deve-se saber que a simples luta para satisfazer as necessidades, não justifica a existência. E essa certeza nos permitirá ter uma nova atitude frente aos conflitos pontuais, nos permitirá transmitir esse "algo a mais" que em algumas ocasiões parecem esquecidas em algum canto do caminho. Esta atitude nos permitirá transmitir a outros a necessidade da coerência, às vezes o faremos com palavras, às vezes com exemplos e às vezes, será algo que simplesmente se notará em cada pequeno gesto. E isso nos dará a força para não vacilar frente aos manipuladores, para exigir reciprocidade, para denunciar a violência sem o mesquinho cálculo da "conveniência política".

O mundo necessita que o humanismo cresça, e também necessita de uma ferramenta política que canalize as melhores aspirações das pessoas em transformações reais. E para isso se necessita que o partido cresça, desenvolvendo-se no local, mas com olhar e projeção mundial. Nosso partido deveria estar aberto às iniciativas de todas as boas pessoas, das organizações com verdadeiras aspirações de mudança, dos quadros técnicos ávidos de projetar seus conhecimentos através de um instrumento de mudança real. Não só temos o desafio de crescer, mas também o de ter a flexibilidade de poder nos relacionar com outros e pôr em marcha ações conjuntas. Sempre tendo como centro de gravidade a coerência interna.

Do partido queremos ferramentas para produzir mudanças, capacidade de ação, poder para a tomada de decisões, um instrumento para todos os humanistas do mundo, e um canal de comunicação com as pessoas.

Do Partido queremos que seja um âmbito de camaradagem, a que tem os que trabalham por uma mesma causa, por uma grande causa que excede os interesses individuais.

Do partido queremos uma esperança para os excluídos, para os discriminados, para os que sofrem a violência de todo tipo. Mas também um sinal de que essa esperança posta no futuro, possa ser alimentada no dia-a-dia com a fortaleza interna que nos dá esse "algo a mais", que nos conecta com o que realmente nos dá sentido na vida.

Guillermo Sullings, Janeiro de 2010 - Punta de Vacas.

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