sábado, 30 de outubro de 2010

Pequena ode à real democracia

Por
Claudia Pucci

As eleições estão aí. E como ficar à parte é uma escolha que determina sua parte, decidi entrar no jogo das opiniões e tornar público meu ponto de vista.

Nesse domingo encerra-se mais um espetáculo democrático. Ainda vai ter dedo no olho, certamente, no último round em rede nacional. Luta de gladiadores, numa arena em que nos permitem brincar de Cesar e apontar polegares: cada um, um dedo: voto.

Sim, essa democracia é um avanço, se formos comparar com monarquias absolutistas, ditaduras e outras pérolas de nosso lento engatinhar. E hoje, tecnicamente, qualquer um de sangue vermelho pode se candidatar. Contanto que legalize um partido, tarefa que alguns deixaram bastante árdua. Ou arranje um que te acolha, e se for eleito, reze pela sua vida na corte.

Ainda assim, é uma democracia.

Democracia representativa. Democracia de avatares. Não de fato, real, horizontal, com o poder na mão de todos. De todos?

Em outras épocas, eu usaria o termo “poder popular”, mas a palavra popular é agora pronunciada por quem não se sente popular, o que não é meu caso. Faço parte dessa grande massa-classe-média que trabalha e sonha com dias melhores, na mais torpe das hipóteses, ou faz coisas para que esses dias melhores realmente aconteçam, numa versão mais lúcida. Mas também reconheço que tive certos privilégios fundamentais: um pouco de estima acima da média da classe, por ter tido a sorte de ser amada e ter tido acesso a alguns bens. Nem falo de geladeiras, carros e televisores, mas um bem maior: educação e senso crítico.

Mas voltando à vaca fria: Nossa ilusória sensação de poder. Poder escolher, como se estivéssemos livres de uma ditadura velada. Ou, para usar um termo menos datado: como se estivéssemos livres da dominação. Porque apesar de reconhecer a evolução histórica, apesar de preferir ver um assalariado a um escravo ou a alguém pendurado numa fogueira pra ser assado e comido, juro que às vezes me pergunto se minha casa não é uma caverna estilizada. A casa-planeta, digo. Desculpe, alguém já disse isso. Platão?

Mas sou otimista. Apesar.

Sou otimista com bases realistas. Porque já experimentei o poder HORIZONTAL. Já vivi momentos em que um grupo circular, sem reis ou vassalos, conseguiu tomar decisões coletivas preservando individualidades. Preservando a diversidade. Um equilíbrio sutil, suave, que só é possível vindo de um lugar: o além-mim.

O além-mim é um lugar de transcendência. Diferente do não-eu que caracterizou muitos coletivos em que indivíduos sentiam-se massacrados, e depois vieram cobrar essa dívida num individualismo crônico. O além-mim é a integral preservação do eu e suas particularidades, mas com um salto além, com uma nota acima, uma frequência mais alta. Uma nota em uníssono com diferentes vozes. Um consenso que não vem da cabeça, de um cálculo, de um raciocínio, mas se uma necessidade profunda de unidade interna.

O além-mim, feito de tantos, nunca é estático. A respiração de um faz o conjunto se mover e novamente, instavelmente, se reequilibrar na ponta de um só pé. Impossível parar, estagnar. O consenso é uma dança infinita, não para nem na menor unidade de tempo.

Já vivi momentos assim, de além-mim. E já os vivi em grupo, num maravilhoso além-nós.

Depois o eu cobra sua parte desse latifúndio, faz cálculos, como é típico de sua natureza. Totalmente compreensível, sem ele estaríamos mortos. Ele é o que nos resta de nossa porção cro-magnon, que garantiu nossa sobrevivência por séculos. Não, não atiro pedras ao eu. Ele, o eu, me trouxe até aqui. Mas aqui não é o fim, e os lugares por onde tenho que entrar – os lugares por inaugurar – me pedem uma nova consciência.

Nesses lugares, a democracia é, de fato, real. Não faz sentido algum escolher representantes. Assim como não faz sentido, hoje, eleger alguém para dar um beijo no ser amado. Eleger alguém para mergulhar na cachoeira, ou para as questões mais simples, como dormir e acordar. Ou morrer.

Mas hoje, época em que avatares vivem a vida em second life, não é de se estranhar. Não é de se estranhar que não se ache estranho um modelo em que alguns decidem o destino de milhares. Impossível abarcar todas as necessidades, ainda que a intenção seja a melhor. Ainda que assim fosse. Ainda que um eleito fosse o eleito de Deus, ainda que Deus fosse.

E olhe que não estou contando as más intenções. Ou, para ser mais realista, as intenções fracionadas. Porque só os vilões da Disney reconhecem a si próprios como “maus”. Mas sim, há grandes equívocos movidos pela cegueira, pelo descaso. Pimenta nos olhos de outros nem mais é refresco: não se conhece. Notícias chegam filtradas na corte. Mas isso não é ignorância inocente, é opção.

Não creio da democracia representativa, assim como não acredito em chefes, mandantes, reis, ou qualquer coisa que seja uma representação externa de uma real divindade que só existe no mundo interno. Aqui fora, estamos ainda atemorizados pelos raios que desconhecemos, na desolação de quem ainda se busca. Criamos Olimpos, é verdade, na ilusão de trazer próximos os deuses, na ilusão de não nos sentirmos mais o desamparo da pergunta: Quem somos? Para onde ir? Ou, simplesmente: ter alguém a quem erguer os braços e pedir a bênção. Nós, nação sem pai. Nós, nação de mães trabalhadoras, nós criado por avós, carentes de referência. Como nos tirar o que resta, a esperança de um salvador? Ou o prazer sadomasoquista de ser pisoteado por déspotas para depois poder atirar-lhe pedras? Os bodes expiatórios são tão antigos quanto as prostitutas.

E eu, que tanto quero o direito, a escolha, e quantas vezes agradeci pela escolha ser alheia? Poder delegar a representantes o fardo da decisão. Um fardo regado com a calda doce do poder, mas ainda assim, pesado. Se não o fosse, não esgotaria tanto quem o carrega. É possível, então, a horizontalidade dos círculos?

Sim, eu já experimentei. Ainda que por tempo limitado, em que um desejo de algo maior se faz presente, compensando e sobrepassando, em importância, nossa carência vertical. O sentido de comunhão é tão verdadeiro quanto as pedras, mas parece efêmero por sua leveza no tempo. Porém existe. E a real democracia virá justamente daí. Por enquanto, em pequenos grupos. Por enquanto, em espaços sagrados onde se suporta a elevada vibração do além-eu, do além-nós.

Enquanto isso, voto, elejo, delego. Enquanto isso.

A tempo: nunca, jamais em toda a vida, votaria no Serra. Votarei no PT com muitas ressalvas, pois apesar de reconhecer as boas reformas vindas de sua história, ainda não é a revolução que espero. Sua raiz sindicalista negocia bons acordos para a massa assalariada, mas não questiona o modelo: por que precisamos de patrões?

Então, entre ressalvas, continuo construindo a anarquia imaginada. E torcendo para que a lucidez e o amor caiam como um raio no coração de quem, agora, disputa a coroa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Posicionamento do Partido Humanista do Brasil no Segundo turno das eleições


No primeiro turno declaramos que não apoiaríamos ninguém, apesar de vermos interessantes posturas no chamado campo da esquerda, inclusive, escanteadas do jogo "democrático" nessas eleições. Essa decisão, pautada na necessidade de dedicar energia na construção, crescimento e perfilamento ideológico do PHI no Brasil, é reavaliada após debate entre os membros do partido diante do seguinte contexto nesse segundo turno.

Sabemos que as duas candidaturas que se apresentam, no fundo representam o mesmo eixo programático do capitalismo, conservador das estruturas sociais que reproduzem todo tipo de violência na civilização humana, desde as mais sutis, como a falta de sentido na vida, até as mais grosseiras, como as guerras e o armamentismo.
No entanto, apesar desse transfundo de conservadorismo e comodismo, sabemos que a origem, construção histórica e concepção ideológica dos dois projetos que nos apresentam nesse segundo turno, têm raízes distintas, implicando em uma estratégia de governo que levam a posturas, num quadro geral, de maior ou menor violência, sobretudo sobre camadas populares e discriminadas, tanto na política nacional quanto na internacional.

É unanimidade no PH do Brasil a total insatisfação com a candidatura de José Serra que à frente de São Paulo mostrou-se com um perfil truculento, sem a prática do diálogo, que combate violentamente manifestações pacíficas de professores e estudantes, que trata a educação segundo regras mercantis, que criminaliza os movimentos sociais, que desaloja favelas para a especulação imobiliária ao em vez de desenvolver o lugar com os próprios moradores que ali já estão, demonstrando que prioriza os interesses das corporações e empresas sobre os interesses das pessoas, e que por isso, não é à toa ser acusado de privatista, e que tem como prática sucatear a coisa pública para depois entregá-la.

Além do mais, não queremos um governo onde as pessoas que o cercam tem a contumaz prática de falar fino com os ricos e grosso com os pobres, que tem no seu plano de governo a militarização das nossas fronteiras que não passa de um projeto de alinhamento aos EUA para servirmos ao ridículo papel de sua "polícia" sendo um desestabilizador das lutas populares e da soberania dos povos latino-americanos, que segundo sua conveniência chamam de "ditaduras". Não queremos um governo "queridinho" da mídia manipulatória que irradia hipnoticamente sua única visão de mundo anti-povo, degradando suas conquistas e maculando suas lutas, do campo e da cidade, sem terem o direito de explicitar sistematicamente as suas causas ao conjunto da nação, para pensarmos juntos em uma solução democrática e solidária.

Enfim, não queremos um governo que não se esforce em propiciar o desenvolvimento pleno de todos, sabendo que o desenvolvimento de uns termina no desenvolvimento de ninguém.

De outro lado, temos Dilma, continuadora do governo Lula, que no plano político, pode ser interpretado, como um avanço e um retrocesso, ao mesmo tempo. Foi um governo que produziu um salto na auto-estima do brasileiro, que ofereceu o mínimo de dignidade para aqueles que sempre ficaram historicamente excluídos, realizou um desenvolvimento das universidades públicas e melhorou o acesso ao ensino superior, deu exemplos de solidariedade e cooperativismo com ajuda econômica e na saúde aos países africanos, demonstrou princípios fraternos aos irmãos latino-americanos sendo capaz do diálogo que colabora na integração da nossa América Latina e soube neutralizar a ingerência do imperialismo liderado pelo EUA.

Esses avanços foram conquistas importantes que se resultaram concretas para a vida de milhões de pessoas, pelo menos podemos ter orgulho de dizer que milhões de brasileiros não passam mais fome, coisa que vergonhosamente essa mesma gente que agora quer voltar ao poder à frente do candidato Serra, insensivelmente, sempre fez vistas grossas. No entanto, esses avanços citados foram feitos em uma base falsa, que além de impedir que vá resolutamente e efetivamente até o fim da desigualdade de oportunidade, paradoxalmente, pode proporcionar sua própria queda e consequente retrocesso.

A forma em que essas eleições tomaram demonstram muito bem essa realidade, onde assistimos uma campanha eleitoral alienante e de baixíssima qualidade. As táticas de dominação do povo através da manipulação da mídia pelo oligopólio de algumas famílias, do sensacionalismo, do falso-moralismo atrelado a questões pessoais e secundárias e da retórica demagógica, indica claramente a farsa da nossa democracia, e é nessa base falsa que os candidatos pretendem governar, distante do povo que deveria sustentar qualquer governo. O resultado disso não poderia, e não pode ser outro a não ser o da corrupção, da enganação e da traição, que estamos, e que vamos continuar presenciando durante os próximos 4 anos, independente de quem ganhe.

Para um partido como o PSDB, que se formou dentro de uma visão elitista que pensa o ser-humano como um simples animal racional, partindo de um princípio biologizante que aceita a lei do mais forte e sua hierarquização como algo natural, isso não é problema, mas para um partido com o histórico que se origina das lutas populares, a formação de uma cúpula que se distancia da sua base é um erro execrável que compromete o projeto de qualquer nação que deseje um povo livre, forte e soberano.

Por isso, o nosso apoio nessas eleições a candidata Dilma não poderia ser de outro jeito, a não ser, CRÍTICO.

Não é uma crítica que cabe somente a este ou àquele partido ou programa, mas uma reflexão sobre a nossa sociedade como um todo.
Perguntamos: como será possível desenvolver a consciência do povo de um país, transformar seus cidadãos em seres plenos, livres e felizes, criando relações de paz e não-violência, nos príncipios da Democracia Real, se este mesmo povo não participa da sua própria liberação? Se este povo fica imobilizado esperando que a solução caia de algum líder carismático, da habilidade de um tecnocrata, da inteligência de algum estudioso ou de algum programa partidário?

Nenhum partido político, seja de esquerda e muito menos de direita, poderá libertar um país da opressão que a violência pessoal, institucional e social o assola, se não for feito a partir da sua própria base de sustentação onde concretamente tudo acontece. É somente as pessoas organizadas nos seus locais de trabalho e nas suas comunidades, que estão diretamente afetadas pelos conflitos que lhe atingem que podem dar legitimidade a um governo forte, capaz de romper com o sistema de violência, que hoje é reproduzido socialmente pelas regras e valores do capitalismo.

Todo o sistema político mundial está armado para ser subordinado aos interesses econômicos de reprodução insana e constante de capital, que se concentra cada vez mais em um grupinho mundial, impedindo que as reais necessidades e aspirações dos povos, das nações e de cada ser humano, se concretizem e se despertem, porque sem o poder e a propriedade de decidir sobre os recursos materiais produzido socialmente pelo conjunto dos trabalhadores, nos vemos induzidos a uma auto-escravidão, obrigados a nos vendermos nesse grande leilão de gente chamado mercado de trabalho. Diante disso, como será possível mudar o país se esses grandes partidos entram na disputa sustentado por bancos, especuladores financeiros e grandes empresários preocupados apenas com o lucro, ao em vez de estarem sustentados nas pessoas que formam a base da sociedade? A mesma situação degradante que cada cidadão vive na sua particularidade, vendendo a si próprio, os partidos e os ditos políticos profissionais, o vivem da mesma maneira.

Dessa maneira, o PH, alerta ao povo brasileiro.

Apesar da eleição de Dilma Rousseff à presidência da república do Brasil ser um “sinal” que devemos dar à elite mais discriminatória, preconceituosa, racista e covarde, não podemos fazer disso um reforço para a condição de povo "incapacitado", “vitmizado” e “vendido” que sempre precisará de um "Pai dos pobres" para cuidar de si, de um “herói” para fazer justiça, ou de uma situação “ideal” de um futuro incerto que o impeça de agir agora.

Dar esse sinal é importante para que mostremos que o povo brasileiro está aprendendo a detectar os seus reais opressores "ocultos". Mas não podemos ficar calado diante das posturas extremamente equivocadas do PT, que podem ter consequências gravíssimas e inesperadas nesses tempos onde o capitalismo mostra estar na sua fase terminal. Sua última crise está longe de terminar, como podemos ver, por exemplo, através desse último ataque aos trabalhadores na França. E a escolha do PT em governar dentro dos seus princípios, sem a descentralização do poder político substituindo a democracia representativa pela democracia direta, sem a garantia de uma saúde e educação pública de qualidade para todos que desfaça qualquer privilégio de classe, sem a participação dos trabalhadores nos processos decisórios das empresas obrigando o capital a se diversificar e reenvistir em novas fontes de trabalho e sem o controle estatal da banca para que esta execute seus serviços sem a finalidade lucrativa podendo emprestar sem juros, fará com que o povo continue na desvantagem e ignorante, com um sentimento difuso, mas permanente de fracasso e ressentimento, e que cada vez mais endurecido, sobretudo diante de algum "imprevisto" ou grande decepção, pode facilmente sucumbir na total irracionalidade e cair nas mãos do lobo fascista que encanta com seu discurso fácil de morte e destruição.

Para que possamos realizar tão monumental intento é urgente e necessário uma retomada resolutiva de uma perspectiva REVOLUCIONÁRIA, que atrelada sem reservas à metodologia da NÃO-VIOLÊNCIA ATIVA será a esperança para o fim da Pré-história e para a entrada triunfal da humanidade nos tempos da História.

Portanto, votar 13 no domingo, dia 31, é importante para que os ventos continuem razoavelmente favorável, mas não instruímos ninguém a esperar nada desse governo. Somente com trabalho, luta e mobilização coletiva debaixo de princípios altamente democráticos, igualitários e libertários é que poderemos acabar de vez com a opressão do Capital e do Estado.

Conclamamos todos a somarem-se conosco e a participarem da construção do Partido Humanista Internacional-Brasil, para sermos a opção que queremos e merecemos para o nosso país e o mundo, de hoje e para as gerações futuras.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Posicionamento do Partido Humanista - 2° Turno - Eleições 2010

No primeiro turno declaramos que não apoiaríamos ninguém, apesar de vermos interessantes posturas no chamado campo da esquerda, inclusive, escanteadas do jogo "democrático" nessas eleições. Essa decisão, pautada na necessidade de dedicar energia na construção, crescimento e perfilamento ideológico do PHI no Brasil, é reavaliada após debate entre os membros do partido diante do seguinte contexto nesse segundo turno.

Sabemos que as duas candidaturas que se apresentam, no fundo representam o mesmo eixo programático do Neo-liberalismo, conservador das estruturas sociais que reproduzem todo tipo de violência na civilização humana, desde as mais sutis, como a falta de sentido na vida, até as mais grosseiras, como as guerras e o armamentismo.

Uma das candidaturas nunca demonstrou interesse em sair do seu comodismo para tratar do principal fator de sofrimento do povo que deriva da violência econômica. A outra, se perdeu através da solução mais fácil e se contentou em apenas remediar parcamente a situação. Portanto, ambas zelarão pela manunteção da banca internacional e do capital especulativo, que impede o setor produtivo se desenvolver e que escraviza países e povos inteiros. Ambas manterão o fortalecimento do poder privado, através da exclusiva propriedade do capital, deixando o futuro dos trabalhadores nas mãos de um Para-Estado que ordena, por trás das cortinas, as regras do jogo de nações inteiras.

Uma candidatura, se sustém em grupos autoritários que nunca teve a vontade política de descentralizar o poder do Estado e criar mecanismos de participação efetiva e democracia direta, porque pensam o ser-humano como um simples animal racional, partindo de um princípio biologizante que aceita a lei do mais forte como algo natural. A outra, mesmo que um dia tivesse tido a vontade, usou artifícios da velha política da conveniência destruindo sua coerência e naturalmente falseando sua ação. Portanto, ambas estarão amarradas ao jogo político da maneira mas vil em que ele se apresenta, baseando-se em interesses particulares, oportunismos, corrupção e disputa pura pelo poder e prestígio pessoal.

No entanto, "ninguém pode existir sem se confrontar com as condições sociais em que vive e ninguém pode deixar de escolher entre elas". Não somos niilistas, acreditamos e lutamos pela superação de todas as nossas limitações.

E dentro do contexto sócio-político em que vivemos atualmente, apesar desse transfundo de conservadorismo e comodismo, sabemos que a origem, construção histórica e concepção ideológica dos dois projetos que nos apresentam nessas eleições, têm raízes distintas, implicando em uma estratégia de governo que levam a posturas, num quadro geral, de maior ou menor violência, sobretudo sobre camadas populares e discriminadas, tanto na política nacional quanto na internacional.

Se uma das candidaturas não ajuda na construção de um Brasil justo, igualitário e verdadeiramente democrático para colaborar na construção de uma Nação Humana Universal, avançando para relações concretas de Não-violência, a outra, com certeza, ATRAPALHA.

Dessa maneira, não poderíamos ter outra posicionamento a não ser: Contra Serra e em Apoio Crítico à Dilma Rousseff


Declaramos:
Contra Serra.


Não queremos um governo truculento, com o perfil da falta de diálogo e que por isso atrapalha a politização do brasileiro, por combater manifestações pacíficas de professores e estudantes, que trata a educação segundo regras mercantis, que criminaliza os movimentos sociais.

Não queremos um governo de alinhamento aos EUA, que deseja que militarizemos nossas fronteiras para ser um desestabilizador das lutas populares e da soberania dos povos latino americanos, e que tem todo o poder da mídia para ser irradiação dessa única visão de mundo que degrada suas conquistas e que macula as lutas do povo brasileiro sofrido, do campo e da cidade, sem o direito de explicitar sistematicamente as suas causas ao conjunto da nação.

Não queremos um governo anti-povo que desaloja favelas para especulação imobiliária, com práticas que priorizem as corporações e empresas sobre os interesses das pessoas, enfim, que não coincide com o desenvolvimento pleno de todos, sabendo que o desenvolvimento de uns termina no desenvolvimento de ninguém.

Apoio a Dilma.

Por outro lado, apoiamos a resolução de conflitos através do diálogo e uma politica externa que trabalhe pela integração do nosso continente. Apoiamos a ajuda econômica e à saúde aos países da África. Apoiamos o desenvolvimento das universidades públicas e a democratização do acesso ao ensino superior. Apoiamos o diálogo com movimentos sociais. Apoiamos de modo geral as políticas sociais na direção da garantia de direitos para aqueles que sempre ficaram excluídos historicamente do mínimo da dignidade humana.

Crítica ao PT.

No entanto, temos a clareza que não podemos admirar e sustentar um governo que não concretizou mudanças estruturais como era esperado, como a distribuição efetiva da renda, a reforma agrária, o marco legal das organizações sociais, um plano ecológico consolidado e uma educação e saúde públicas de qualidade, por se perderem no jogo político da conveniência e se aliado a setores conservadores e reacionários do Brasil.

Um governo que abandonou seus princípios éticos, que se deixa levar por um debate rasteiro e medíocre numa campanha totalmente alienante, que sustenta a fusão de temas religiosos particulares na coisa pública, que trai suas bases em vários aspectos (de forma emblemática, nessas eleições, na falta de clareza em abordar a questão do aborto como uma questão de saúde pública, e de direito das mulheres em decidir sobre seu próprio corpo) e que através da sua estúpida demagogia impede, com muito prejuízo, que o povo se mobilize verdadeiramente em prol das suas reais aspirações.

Enfim, o PHI declara acima de tudo sua independência contra essa política pré-histórica nos termos da violência e da coisificação do ser humano, e realiza uma verdadeira alternativa, não somente de opção política mas de construção de uma nova sociedade. Para isso, convida você para essa construção.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Frente Humanista contra a violência - RECIFE

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Mapa do Aborto - World Map on Abortion



No Brasil, o ato de provocar um aborto é considerado crime (artigos 124, 125, 126 e 127 do Código Penal Brasileiro), exceto em duas circunstâncias: quando não há outro meio para salvar a vida da gestante ou é resultado de estupro (artigo 128). Segundo dados estatísticos, um milhão e quatrocentos mil abortos clandestinos acontecem todos os anos.
Centenas de milhares de mulheres estão morrendo ou sofrendo danos físicos e psicológicos. Isso é fato. Esse número será provavelmente maior se considerarmos os casos de abortos em mulheres que não sofrem internações ou são realizados clandestinamente em clínicas privadas. Sendo assim o aborto no Brasil é um caso de saúde pública.

Para os humanistas a existência humana se dá a partir do nascimento, porém cabe a decisão à mulher gestante, segundo suas crenças, continuar ou interromper sua gravidez, exercendo com plenitude a sua liberdade e intencionalidade no mundo. Cabe ao estado acolher a mulher intervindo no amparo a decisão por ela tomada.

Defendemos a liberdade de escolha da mulher e que o Estado assegure essa escolha.

Por outro lado, não queremos impor nossa visão e respeitamos os diferentes pontos de vistas sobre este tema, contudo nos sentimos no direito de expor, discutir abertamente e lutar para que a sociedade respeite as pessoas e os movimentos sociais que defendem o direito da mulher decidir sobre seu próprio corpo sobre sua própria vida.

Sendo assim o Estado deve ser laico, não tem o direito de impor uma convicção fundada em crenças de uma parte da sociedade a pessoas que têm crenças diferentes.

Argumentos retirados a partir das Teses do Partido Humanista

“o ser humano deve reclamar também seu direito à subjetividade: a perguntar-se pelo sentido de sua vida e a praticar e pregar publicamente suas idéias e sua religiosidade ou irreligiosidade. E qualquer pretexto que trave o exercício, a investigação, a pregação e o desenvolvimento da subjetividade, que o travar ou postergar, mostra o signo da opressão que os inimigos da humanidade detêm.”

Tese 1. - A existência humana se dá no mundo. Nele começa, se desenvolve e conclui. Portanto, não se pode supor uma direção, uma razão ou um sentido prévio (à existência), sem contradizer o anterior.
Tese 1.1.-A existência humana começa com o nascimento, com a abertura da intencionalidade ao mundo, como primeiro passo de liberdade do condicionamento natural. Neste sentido, antes do nascimento não se pode falar com rigor de "existência humana".
Tese 2. - Entendemos por "mundo" tudo o que é distinto do próprio corpo. Contudo, o existente considera seu corpo como parte do mundo. Corpo e mundo são o dado, o fático, o natural.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Convergência das Culturas - Boletim Mundial

Faz poucos dias que está em funcionamento a nova web da Convergência das Culturas. Agradecemos o excelente trabalho dos amigos que a puseram em andamento! Convidamos a visitá-la em www.convergenceofcultures.org

07/10/10
APRESENTAÇÃO DA CONVERGÊNCIA
Buenos Aires, Argentina
A Equipe promotora da Convergência na cidade, organizou na Casa da Cultura um encontro para informar pessoas e organizações amigas sobre as mudanças organizativas e a continuidade de seus princípios, atividades e objetivos.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=211%3Apresentbsas&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es

04/10/10
NOVO BLOG NA COSTA DO MARFIM
Para facilitar a informação e o contato com o meio, a Convergência conta com um novo blog. Convidamos a visitá-lo em:
convergencedesculturesequipealpha-ci.blogspot.com

02/10/10
PARTICIPAMOS NO COMGRESSO DA SOBERANIA
Cidade do México
Desde a equipe promotora da Convergência no México, participamos neste fórum que discute o futuro que querem os mexicanos de seu país. "Vem se falando de soberanias (...) mas me pergunto, onde fica o ser humano? Que soberania tem sobre seu destino?"
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=251%3Acongreso-de-la-soberania-en-mexico&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es

02/10/10
"A NÃO VIOLÊNCIA É A FORÇA QUE TRANSFORMARÁ O MUNDO"
CONVERGÊNCIA FESTEJOU O DIA INTERNACIONAL DA NÃO-VIOLÊNCIA

Argentina
• Buenos Aires. Através da equipe de base de Morón, a Convergência participou na jornada que se realizou no Parque Centenário. Exibição de fotos e múltiplos contactos.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=191%3A2octbsas&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es
• Mar del Plata. Cerca de 400 pessoas assistiram à segunda edição do Festival pela Não-violência, em importante teatro muncipal.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=201%3A2octmdp&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es

Chile
Santiago. Santiago. Foi realizado o 5° encontro "Vive la diversidad", um encontro festivo e multi-cultural no qual participaram 6 organizações. e assistiram cerca de 300 pessoas.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=131%3Avive&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es

Espanha
• Barcelona. O ato foi organizado na Rambla, na rua mais conhecida e de maior circulação da cidade.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=111%3Abcn2oct&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es
• Madrid. A comemoração foi feita junto ao Museu Rainha Sofia e contou com a presença de cetenas de pessoas e uma grande variedade de atividades politicas, culturais, ludicas, etc.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=141%3Adia-de-la-no-violencia-en-madrid&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es
• Mollet (Barcelona). A festa, que durou o dia todo, começou com uma paeja popular e foi organizada pela equipe de base Amalgama.
http://www.convergenceofcultures.org/index.php?option=com_content&view=article&id=121%3Amollet01&catid=1%3Alatest-news&Itemid=50〈=es

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

COMO SERIA UMA DEMOCRACIA DIRETA?

Quem fala de DEMOCRACIA DIRETA, precisa dar o exemplo. Por isso estamos propondo um partido que pertença a todos nós. O PARTIDO HUMANISTA manterá seus membros informados sobre todas as votações parlamentares, através de seu site; onde debateremos essas questões em nosso fórum. Depois de esgotado o assunto, todos nós votaremos eletronicamente, no próprio site, com igual poder de voto, qual a melhor solução para cada caso; e nossos parlamentares estarão obrigados a votar no Congresso do jeito que a gente decidir aqui entre nós.

DEMOCRACIA DIRETA no país, significa os parlamentares preparando todo o processo legislativo, mas na hora de votar, o povo é convocado para decidir diretamente. As propostas precisam ser analisadas por especialistas, é preciso que se enquadrem dentro das Leis, e no orçamento da União. Senão, poderão esbarrar no Poder Judiciário. São poucas matérias votadas por mês, tem mês que nem se vota nada. Os partidos, inclusive o nosso, teriam seu próprio parecer sobre cada assunto, e o eleitor com uma hora de leitura por mês, seria capaz de votar com segurança.

Para essa votação estão desenvolvendo muitos programas de computador, onde a gente vai poder votar de casa, ou em uma lan house. Também podemos instalar as urnas eletrônicas, com identificador de digitais, permanetemente nos correios, ou no Banco do Brasil, transmitindo seus votos on line. De dois em dois meses, ou de três em três, faríamos plebiscitos para decidir diretamente os rumos do país. A fim de evitar filas e transtornos, teríamos um prazo de dez dias para votarmos.

Esse novo processo legislativo seria com um desinfetante, limpando toda a sujeira do Congresso. Atualmente existem quase dois mil e quinhentos projetos de Lei parados, sem votação. Porque será? Porque não votam? Ainda existe mensalão? Sem propina ninguém faz nada? O povo votando diretamente, não haveria como comprar votos de todo mundo. Por isso, além de muito mais legítimas, nossas escolhas atenderiam aos nossos interesses, e não de quem tem dinheiro para comprar votos dos deputados.

Outra grande vantagem da DEMOCRACIA DIRETA está nas iniciativas populares. Elas poderiam ser cadastradas no site oficial, e durante as votações eletrônicas, a gente escolher espontaneamente se apóia alguma delas. Quando elas atingissem o número suficiente de apoios, virariam projeto de Lei. Além disso, durante cada votação o povo escolheria quais projetos de Lei deveriam ser votados no próximo pleito.

Pense em quanto vale o seu voto. Diariamente movimentamos bilhões de reais pela internet, com segurança e facilidade de fiscalização. A DEMOCRACIA DIRETA só não foi instalada, porque ainda não decidimos.

Venham conosco.

O futuro está em nossas mãos.

Daltro Nunes
 

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