domingo, 3 de agosto de 2014

A Quem Queira Escutar

Estamos vivendo tempos tumultuados . A sociedade esta explodindo por dentro e são necessárias mudanças sociais que abram o horizonte. Os jovens estão revisando a historia , a questionam e também resgatam dela o que lhes serve para humanizar suas vidas e dar-lhe sentido.Por essa razão quisemos reeditar essa versão melhorada e ampliada da obra da deputada Laura Rodrigues . Seu filho Simon e Vlado como deputado nos pareceram sinais de uma busca de novos significados e novos modos de expressão e ação no meio.

Com esse livro quisemos responder através do testemunho da propria Lala, que fez com que se convertesse em apenas dois anos , de 1990 a 1992, em uma referencia social e em um modelo de ação política no Chile.

Em 1984 , o Movimento Humanista criou um instrumento de ação política a partir dos estudos da Comunidade para o Desenvolvimento Humano .

Os Partidos Humanistas do mundo colocariam a vida humana e a liberdade humana como valores centrais da construção social. Com o grito de " Nada acima do Ser Humano, nem deus, nem chefes , nem estado', nasceram simultaneamente nos 5 continentes.

Esses partidos baseiam suas teses na doutrina de Silo , que considera a violência como a raiz do sofrimento e que esse sofrimento é mental e portanto não é suficiente mudar as estruturas sociais , senão que é necessário mudar também ao próprio indivíduo que quer essa mudança, ou seja a nos mesmos. 

Os pilares do projeto de transformação simultanea da sociedade e do indivíduo estão no Humanismo Universalista de Silo e em sua Mensagem que nos leva ao acesso dos espaços profundos e de silencio da consciência.

Nesse contexto pensamos na construção de uma liderança. Mas , uma liderança não é produto dos meios de comunicação e nem se consegue desde um cargo de poder. Uma liderança é constituída pelas pessoas. é desde as pessoas que se consegue as respostas a uma necessidade que os povos tem de alcançar sua liberação , seus direitos e sua dignidade. Construir uma liderança é ganhar o coração das pessoas.

A pergunta do Movimento e do Partido humanista era : Sera possível construir uma liderança social de modo intencional? Lala teria que averiguar isso. A confiança das pessoas seria ganha se Laura Rodrigues pudesse conectar com essas necessidades . Supunhamos que uma so deputada poderia colocar em cheque ao sistema político se estabelecesse uma comunicação direta com as organizações populares, se denunciasse publicamente os abusos que sofriam , se se afastasse das tramas do poder e dos acordos de cúpula.

Teria que experimentar nela mesma uma transformação pessoal em direção a sua coerência interna e para ganhar coerência teria que fazer coincidir o que se diz em publico com o que se diz , se pensa e se sente na intimidade.

O Movimento Humanista formou uma equipe para a deputada e juntos elaboraram um "livrinho" que era um plano do caminho ; basicamente um acordo entre a deputada e o projeto conjunto do Movimento e Partido Humanista. Não um acordo de "repartição de cargos" , nem de bobagens mesquinhas . Um acordo do essencial do "complot" entre Movimento ,Partido e a deputada para a mudança social.

As vezes se banaliza a importância dos acordos . Os acordos são fundamentais para a construção de vínculos. Rompe-los coloca em risco as relações pessoais e aos conjuntos envolvidos, mas não são rígidos ; são flexíveis e dinâmicos ; não são estatuas que paralisam a historia . A essência esta em respeita-los e se ha modificações, essas devem ser feitas pelo mesmo conjunto que o gerou.

Lala percebeu que nem ela,nem os politicos poderiam mudar as condições de violência politica e economica da sociedade. Percebeu que as mudanças verdadeiras nao vem do poder , senão que das próprias pessoas . Eram as pessoas que decidiam as mudanças que necessitavam, mas para isso deveriam ganhar confiança nelas mesmas .

Essa mudança so seria possível com a troca dos valores individualistas pelos de organização , reciprocidade e solidariedade. Compreender isso deu uma volta na sua vida . Compreendeu a tarefa para a qual havia sido escolhida e o significado profundo do projeto de constituir-se uma lutadora social e uma referencia moral .- Transmitir a fe que a mudança é possível , que parte de nos mesmos e se realiza entre todos . 

Os lacos entre os vizinhos, os vínculos entre as pessoas eram a base da organização e nao outra coisa. Cuidar esses vínculos com relações de reciprocidade era a grande mudança que se necessitava.

O perigo de chegar a um cargo publico de poder e terminar se acomodando ao sistema de valores vigente é o que conhecemos como adaptação decrescente ; quer dizer , terminar aceitando os interesses contra os quais se prometeu lutar. Ingressar no parlamento e não sucumbir ao esquema de pressões e de interesses que ali se conjugam , era um tema de adaptação crescente. Lala teria que adaptar-se crescentemente ao jogo do poder, ou seja , dialogar , negociar, legislar, abrindo espaço para que as pessoas se manifestassem diretamente e que adquirissem cada vez mais forca para reclamar seus direitos . A adaptação crescente significa que a deputada estava no jogo do poder ,mas ,para levantar suas contradições e denuncia-las a viva voz.

Quando o câncer a impediu de continuar o trabalho ja havia conquistado um caminho de confiança e de carinho . 

Começou sua luta pela vida abrindo sua intimidade para todos que pudéssemos enfrentar com ela o medo da morte. 

" Eu não sou minhas mãos" publicava na imprensa quando a metade de seu corpo estava paralisado. "Sou muito mais que um corpo enfermo ". Olhava nos olhos dos jornalistas e lhes dizia: Me perguntas como se eu fosse a unica que vai morrer , sou eu,mas a unica diferença e que estou um pouco mais adiantada . A morte e o mais comum, nos acontece a todos . Não acha estranho que seja sobre o que menos falamos?

Aos poucos meses da morte de Lala, o Partido Humanista renunciava a todos os seus cargos de governo.Com essa atitude tratava de ser um exemplo de coerência política e com essa condição tentaria nos anos seguintes construir uma alternativa para substituir a Concentração de partidos que se afastava, segundo nosso ponto de vista, cada vez mais do compromisso de liberação do povo.
Colocamos novamente em circulação o nome de Laura Rodrigues para levantar os valores do humanismo - a coerência, a não violência, o dialogo, a reconciliação. Valores que traduzidos em ação transformarão a sociedade e a nós mesmos.

Vivemos tempos tumultuados . As sociedade estão explodindo por dentro e são necessárias as mudanças sociais que abram o horizonte. Os jovens revisam a historia , a questionam e também resgatam dela o que lhes serve para humanizar suas vidas e dar-lhes sentido. Por essas razoes quisemos reeditar essa versão ampliada e melhorada da obra da deputada Laura Rodrigues . Seu filho Simon editor e Vlado deputado nos pareceram sinais de uma busca de novos significados e de novos modos de expressão e ação.

Préfácio do Livro "A quien quiera escuchar" por Dario Ergas.

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Agradecemos a Maroly que gentilmente fez a tradução!

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